«Puras. Singelas. Simples.
São assim as palavras, se lhes soubermos dar uso.
São a arma mais preciosa que podemos ter. Nada fere tanto como uma palavra. Mas nada nos deixa sonhar tão alto como ela, quando é a palavra certa.
As palavras também cresceram, tal como nós. O povo inventou-as, conforme necessitava delas, e elas, não se importando, deixaram-se inventar.
Foram companheiras de todos, e algumas foram ficando pelo caminho, despedindo-se de todos nós. Algumas deixam descendentes, outras palavras que se possam juntar às nossas jornadas, tomando-lhes o ofício. E, de quando em vez, surgem umas vindas de outros povos, que vamos acolhendo, com maior ou menor facilidade.
As palavras mudam, consoante o tempo. Mas há sempre algo que se mantém: a sua relação connosco. Estão sempre presentes, são amigas e rivais. Falam-nos de saberes, de guerras, de artes, de histórias.
As palavras são nossas e são livres.»
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