





Como prometido, aqui está a história que eu escrevi para o concurso da revista, lembram-se? Tinha de ser inspirada no perfume da Cacharel Amor Amor e saiu isto:
Dizem que um perfume é a nossa marca. Se usarmos sempre o mesmo, ao fim de algum tempo, as pessoas passam instintivamente a associar a fragrância a quem a usa.
O mesmo se passa connosco. Já não posso chegar por trás de ti e fazer-te uma surpresa, tapar-te os olhos e pedir para adivinhares “Quem é?”. Parece que o meu Amor Amor me denuncia. Não sei é se será o perfuma ou o sentimento…
Lembro-me quando mo ofereceste, no meu aniversário, pouco depois de te teres decidido a ser feliz e aceitar-me. Foi o dia em que percebemos que, apesar de tudo o que fizemos e de tudo o que queríamos fazer fosse errado, isso não importava minimamente.
Nesse dia levaste-me ao sítio mais lindo que alguma vez vi, levaste-me ao bosque das tulipas. Ouviam-se os pássaros e estava calor, ainda assim a brisa beijava-nos. E é essa a minha melhor recordação de nós, juntos: quando passámos a manhã inteira deitados, por entre as tulipas, de mãos dadas. Às vezes aos beijos, às vezes abraçados. E depois lembraste-te de me dar o presente. Não vinha embrulhado – “O papel só atrapalha e desvia atenção do conteúdo!” – mas tinha um cartão que dizia: «Olha-me nos olhos e ouve-me como nunca antes ouviste.» Foi o que fiz. Ouvi o “Amo-te” mais sincero de todos os meus anos de existência. Abraçaste-me e ainda explicas-te:
“Foi o Amor Amor porque é o mais parecido com o nosso amor-amor. A duplicar.”

