É engraçado como alguém que nunca conhecemos pode ter tanto impacto na nossa vida. Mesmo que seja só em pequenas coisas.
Tudo o que sei do avô é a forma como morreu e que trabalhava nos correios. A mãe diz que tenho os lábios parecidos com os dele, farta-se de dizer maravilhas dele e como ele daria u grande avô, brincalhão, sempre pronto a ajudar - um amigo, no fundo. E aí tenho ainda mais pena de nunca o ter conhecido.
Sempre tive um certo fascínio por selos. Nesta geração são raros, mas eu adoro-os. E quando a mãe descobriu achou piada, porque o avô também fazia colecção de selos (era tão giro se eu a encontrasse!). Faz sentido: um carteiro faz colecção de selos. E a neta que ele nunca chega a conhecer também... Ele influencia-me mesmo sem nos termos conhecido ou sem eu fazer ideia.
Se o Paraíso realmente existir, espero poder-te encontrar lá num dia longínquo, avô.
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