Angústias de um ser humano dentro de uma cabina de voto antes de pôr o xis no papel
Onde o nosso comendador discorre - ou coisa parecida - sobre a solidão daquela que é por vezes a maior decisão da nossa vida, mas na maior parte das vezes a coisa mais irrelevante que fazemos.
Um dos maiores defeitos da democracia é não ter alternativa melhor. Como sabem - e se não sabem deviam saber - a democracia é o pior dos regimes, se exceptuarmos todos os outros. Claro que esta frase é de Churchill e só por isso é que pode ter piada, se tivesse sido Sócrates a dizer isto chamavam-lhe Hugo Chávez, se fosse Manuela chamavam-lhe Salazar. Mas Churchill tinha uma autoridade moral superior a Sócrates e Manuela e podia dizê-lo sem perigo.
Com a democracia elegemos um Parlamento que é uma casa onde toda a gente se senta arrumadinha, de acordo com a cor política (digamos que foi aqui e não no futebol que começou a sepaação de claques). No entanto, e como qualquer deputado sabe - exceptuando os novatos - num parlamento cada um está sentado tendo os adversários nas outras bancadas e tendo os inimigos na mesma bancada. Claro que esta frase é de Churchill, e só por isso é que pode ter piada. Se fosse Manuel Alegra a tê-la dito acusavam-no de falta de camaradagem, se fosse Passos Coelho diziam que ele tinha faltado ao companheirismo.
Depois de eleito o Parlamento, elege-se um Governo com um primeiro-ministro que foi indigitado pelo Presidente da República, estando este ou não sob vigilância (para este pormenor é irrelevante).
Segue-se que o Governo é aprovado pela Câmara (que é ourto modo de dizer parlamento), ou não. E o que é um Governo? É uma mistura entre pastores e carniceiros! Claro que esta frase é de Voltaire, se fosse de Jerónimo de Sousa chamavam-lhe antidemocrático.
Se o Governo for minoritário, tem de parlamentar para conseguir chegar a uma solução estável (e é por isso que à Assembeleia da República se chama também Parlamento). Se tiver maioria absoluta, passa a mandar no Parlamento e então a nossa liberdade acabou. Porque quando o poder legislativo é comandado pelo Executivo, as liberdades constitucionais estão irremediavelmente perdidas. Mas isto foi Edward Gibbon, o autor de "Declínio e Queda do Império Romano" que escreveu, se fosse Portas diriam que estva a ser demagogo.
E quem decide tudo isto, em último lugar? Somos nós, seres humanos simples, dentro de uma cabina de voto, armados com um papel e uma caneta para fazer um xis. Claro que podemos não votar, recusando a responsabilidade de aconselhar o Rei (ou entre nós a República) sobre quem o deve servir, como disse Evelyn Waugh. Mas, em princípio, devemos, porque como disse Abraham Lincoln, "The ballot is stronger than the bullet" o que quer dizer que um voto é mais forte do que uma bala (embora ele tenha morrido de uma bala).
É no preciso momento em que estamos dentro da cabina de voto, sozinhos, a olhar os símbolos dos partidos, que nos devemos lembrar de tudo isto.
É difícil, claro, embora tenhamos sempre a esperança de que seja qual for o Parlamento que escolhamos, elehá-de escolher um Governo e que esse governo, meus caros amigos, só temum destino certo: é o que, um dia, há-de perder as eleições, porque - como dizia Churchill (se fosse eu havia de ser lindo) - o único destino que os Governos podem ter por certo é o de, em democracia, perder o poder. Até porque - afirmava também o velho Winston - a oposição jamais vence as eleições - é sempre o Governo que as perde.
E o resto são conversas e pequenos factos de circunstância, que em breve estarão esquecidos.
3 comentários:
obrigada pela opinião :)
mas eu tenho sou aquela base, penso sempre nos outros depois em mim :S
enfim, beijinhos (:
adorei o texto... está msm msm fantastico!!!
muito bem conseguido msm.
beijinho
tens um pretexto para ir ao meu blog :p
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