
Ao raiar do dia já a nossa cabana, empoleirada no alto da encosta, se enche da luz do sol, enquanto mais abaixo a aldeia permanentemente mergulhada na vasta sombra de cor púrpura da montanha até meio da manhã.
Pelo maio-dia, já os campos cor de ouro se encontram salpicados com os alegres vestidos das mulheres, de um encarnado tão vivo como o das poinsétias que adornam os caminhos ventosos. Os bebés dormem a sesta, embalados para apanhar preguiçosamente benhos de sol.
Ao fim do dia, já ébrios de sol, fecham-se os rebentos amarelos e brilhantes das abóboras e os jasmins brancos de leite abrem as suas gargantas afuniladas ávidos de sorver o ar fresco dos Himalaias.
À noite, finas espirais de fumo desprendem-se das lareiras em brasa, o ar enche-se da fragância de uma dúzia de jantares e um manto de escuridão cobre a terra.
Excepto em noites de lua cheia. Nessas noites, uma luz branca e mágica derrama-se sobre a encosta e o vale, intensificada pelo reflexo das neves perpétuas que revestem os cumes. Nessas noites eu permaneço inquieta, deitada nõ sótão onde dormimos, interrogando-me sobre como será o mundo para além da minha casa na montanha.
[in Tenho 13 Anos, Fui Vendida; de Patricia McCormick]
1 comentário:
Ainda bem que gostaste :p
beijiinho (:
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